Nem sempre as pessoas vivem de acordo com um projeto de vida ou planejamento pessoal. Todos nós nascemos com um dom, mas não seguimos ou não lapidamos. Deixamos o destino nos levar.

O projeto pessoal diz o ponto de chegada, pra onde se quer ir. É a síntese do projeto de vida.

Há alguns anos eu queria fazer algo novo, ousar, mas não sabia o que poderia fazer, ou seja, para onde eu queria ir. Pensei então em fazer uma viagem e me dirigi a uma agência de turismo. Disse para o proprietário: quero viajar. Ele perguntou: para onde? Não sei, respondi. Meio embaraçado ele traçou mil roteiros, outros tantos planos, praia, montanha, sol, neve, calor, frio, agitação das compras, sossego do deserto, oriente, ocidente, países nórdicos e nada acontecia. Não sabia para onde me dirigir e, tanto menos, ele. Agradeci a gentileza do agente de viagens e me dei conta da evidência de que organizar um plano sem saber aonde se quer chegar é impossível.

O dom é um excelente indicativo da estrada a seguir. Mas infelizmente, ele é perdido quando a criança ingressa no ambiente familiar e social. Ela tende a perder o seu projeto, não lembrar pela natural ingerência familiar e, assim sendo, encaixada prostituindo de certa forma o seu talento individual.

Frustrações, depressões, talentos desperdiçados e relacionamentos mal sucedidos são ingredientes clássicos que apontam o desconhecimento do endereço da alegria e da realização individual. Não por maldade, até os doze anos a criança incorpora para si destino imposto ou o exemplo de vida praticado pelos pais. Depois ela não consegue retomar a sua total independência de decisão. A partir dos 18, já jovem adulta, fixa aquele modelo familiar e social.

O ideal é a independência na escolha de onde se quer chegar, desenvolvida a partir das aptidões individuais. Cada pessoa é um projeto único.