Por Alice Schuch, doutora em gêneros pesquisadora do universo feminino

Ao escrever minhas teses de Mestrado e Doutorado, provei intimidade com os textos que redigia… e pensei: pois bem, se aconteceu naturalmente então, que o seja, trata-se de um novo início e, de qualquer modo se inicie, o importante é começar, mover-se é já prática de sucesso.

Sou uma apaixonada por aquilo que cada um de nós é como obra perfeita do mundo da vida. Meus dezoito anos de estudos refletem a busca incansável para compreender, visualizar e verbalizar o projeto humano.

Nos vejo belos e diversos – fantásticos!

Não faço distinção entre mulheres ou homens, vejo em ambos a responsabilidade de expressar historicamente a beleza que possui por dote de natureza. Afinal, como cita o filósofo Antonio Meneghetti: "qual é a semelhança entre o piano e a harpa? Nenhuma, mas quando vão em uníssono, que maravilha!".

Desordens e frustrações não nascem dos outros, mas da confusão de identidade que construímos por não saber selecionar aquilo que é para nós e deixar de lado aquilo que não o é.

Alguns homens desejariam participar do mundo das mulheres, mas encontram certa dificuldade.

Recebo uma mensagem: Como você está?

Respondo: Trabalhando!!!

Ele imediatamente escreve: A desculpa...

Esclareço: Eu gosto de trabalhar...e quem trabalha porque gosta se diverte muito! É puro jogo, como o futebol para você.

Sintetizo para ele: nós as mulheres também precisamos fazer gols - nos agrada...assim somos.

Penso então com os meus botões: a história foi escrita preferencialmente pelos homens e este fato deveu-se a ausência das mulheres. Tal dinâmica porém esvaziou-se no Século XXI e ambos lutam por aquilo que desejam alcançar.

O piano e a harpa são distintos, porém, este e aquele carecem de zelo: afinação, lustro, cultivo da específica identidade, da peculiar sensibilidade e do intrínseco modo de ser tocado.

E quando os homens, da própria maturidade, aprenderem a formalizar o encontro vencedor para ambos com as mulheres, todo o corpo social ganhará evolução.

E quando juntos, escreverem uma história vencedora, pianos e harpas em uníssono, que maravilha!

Ao sucesso e ... até breve!