Em alguns momentos, tocadas pela leitura de obras biográficas que vão de Dalila a Cleópatra e tantas outras, cujas vidas foram prematuramente ceifadas poderíamos fantasiar que, perdedoras na existência histórica, se realizaram em um plano superior místico. “Questionamos, porém: por que permaneceram mantendo e alimentando modelos não vencedores para si? Mulheres inteligentes, belas e cultas, como se justifica terem postergado ações vitais? Qual é o escopo de postergar?”. Na estratégia de algumas vidas observa-se pegadas de ações que impedem o nascimento da arte perfeita.

Ao contrário, a mulher do Século XXI demonstra raro talento e uma contagiante vontade de viver, detesta apegos, é descolada, gosta de renovar usos, alimenta predileções, é antenada. “Sabe que hoje somos livres e nos convém vencer, que o importante é empreendermos aqui e agora as nossas lutas e não lutas e guerras de outros que nos são indiferentes, que não tem coincidência, projetos de histórias alheias”, diz Alice.

Viver bem é uma escolha, uma atitude diante da vida e tem uma só passagem: evoluir sempre e não pretender mudar os outros.  Atitude tem a ver com valorização pessoal, com o desejo, a vontade de fazer o máximo com aquilo que se tem. Colher, se possui inteligência e capacidade, o poder da existência, viver de modo alto e elegante a própria feminilidade, a própria personalidade.

O além se constrói ao transformar a existência histórica em obra original, interativa e em constante movimento. É o sujeito o artífice do seu fazer-se, do seu viver como celebração do excelente.

“O ´Sonho da Sultana´ de Rokeya, relato imaginário sobre um lugar ideal no qual as mulheres detém o controle sobre a própria vida, torna-se possibilidade real para nós no Século XXI”, completa Alice Schuch.

Live to be… Happy! Cante a sua canção 

Nós, mulheres, somos luz, impulso, inspiração, ativação, porém algumas vezes “não cantamos as nossas canções”, ou seja, lançamos mão de estratégias não funcionais ao nosso projeto pessoal. Isso nos deixa apagadas e, consequentemente, na penumbra à sociedade onde estamos inseridas.

SOMOS E DEVEMOS SER FELIZES COMPARTILHANDO A NOSSA LUZ!!!

Questiona a antropóloga Marcela Lagarde em seu livro, Los cautiverios de las mujeres:  “o que seria do mundo se as mulheres pouco a pouco destinassem a elas mesmas parte da força e das energias vitais que dedicam a dar vida aos outros, para obter sua aceitação, seu afeto, sua proteção e seu reconhecimento e com este a sobrevivência? O que aconteceria se a sua energia vital fosse destinada a dar vida, autoestima, segurança, prazer a elas mesmas como gênero e cada mulher a si mesma?”.

Constato que muitas de nós vivenciamos um programa comum, sem novidade ou criatividade. Cada uma segue aquele planejamento estabelecido há milênios: hoje é assim, quando crescer fará isto, na maturidade aquilo, ou seja, estamos no Século XXI e vivemos inteiramente selecionando personagens e eventos para formalizar um módulo da programação ancestral.

Minha grande alegria é ver as mulheres de hoje despertando para a ocasião de cantar as próprias canções, como pessoa, alma, líder, protagonista no mundo da vida. Para que isso aconteça, precisamos superar com maturidade os papéis sociais. Papel significa rotina, aqueles programas fixos nos quais a sociedade enquadrou historicamente uma mulher.

“A vida é cheia de oportunidades, o importante é se manter atenta e aberta a elas”, pontua a empresária e consultora de moda Costanza Pascolato.

Desenvolvendo uma conduta leal e simples em cada pequena atividade no cotidiano da nossa vida, fazendo coisas simples de maneira extraordinária, conseguiremos sucesso também nas grandes.

Não é necessário comportar-se de modo pueril, ser falso e sim fazer constantemente ações que nos convém, que verdadeiramente nos dão prazer, nos agradam e que nos proporcionam crescimento pessoal integral.

No momento histórico em que vivemos é possível a autogestão feminina, isto é, administrar-se, usar a própria inteligência, os momentos mágicos e não é difícil fazê-lo: uma tranquila fidelidade ao que nós somos, resolve a vida em alegria.

Brindemos às nossas canções!

Prazer de viver, prazer de estar realmente bem! 

Está desempregada? Acabou a relação? Os filhos cresceram?

Minha sugestão é vencer. Veja que a essência permanece e precisa ser burilada ao longo da vida. Desenvolva um estilo pessoal, a ideia é ganhar mais de você!  Moderna? Exuberante? Intelectual? Esportiva? Clássica? Cada estilo de inteligência tem um modo, descobri-lo é o desafio.

Estamos sempre em aperfeiçoamento daquilo que somos, daquela semente que somos em desenvolvimento histórico, onde acontecemos. Nesta base também está a editora de moda que protagonizou as revistas Vogue e Harper´s Bazaar, Diana Vreeland. Ela sintetiza: “você deve ter uma noção de prazer e uma noção de disciplina para estar realmente bem. Ter um corpo tratado, viver ocupada e preocupar-se menos. Para ter estilo, viva corretamente e aceite desafios”.

Então, pode as folhas velhas – todas – e plante a nova muda com cuidado, aproxime bem a terra para firmá-la, observe e irrigue sempre que necessário for, pois conforme alerta a estilista inglesa Vivienne Westwood, “você não tem futuro nem passado”.

Antevejo a grande árvore que deita as suas raízes no húmus, solo fértil e úmido que eu preparei, e elas vão se inserindo alegremente... competindo. Vejo então aquelas raízes branquinhas e vigorosas, vetores que buscam espaço com decisão, fixando-se, expandindo-se. Experimente!

Simultaneamente explodem exuberantes as novas folhinhas tenras, macias, flexíveis, que se posicionam nos enormes galhos decididos a tocar o azul do céu infinito!

Novas folhas virão...mais e mais.

Assim imagino o prazer de viver!

Felicidade, projeto de vida x história de inferioridade e submissão feminina 

A mulher ganha pontos na sua vida pessoal e profissional quando desenvolve o seu projeto de vida, o que tende a ser uma problemática diante de uma cultura ainda enraizada na inferioridade histórica feminina. O sucesso está em fitar a beleza de nosso projeto jamais traído. Isso significa assumirmos o nosso papel na corrida da vida de maneira responsável, sendo honesta consigo mesmo, aprender, fazer e agir de forma independente e forte.

A inferioridade história feminina atrasa o projeto de vida da maioria das mulheres que, hoje, apresentam-se frustradas e infelizes. Sem um projeto de vida, elas retardam na corrida da vida. É preciso, então, cumprir um projeto pessoal em situação histórica.

Segundo a palestrante, a dificuldade de manter um projeto de vida está na história, que rompeu o elo entre a mulher e a deusa já na era primitiva, na divisão de tarefas pela necessidade da caça. Fomentou-se, então, uma desigualdade que posicionou o gênero feminino em um lugar de submissão.

A hegemonia masculina seguiu nos campos físico, psico e filosófico, negando a elas o direito de participar dos debates públicos. Logo, a maternidade e o cuidado com a prole foram considerados – e em parte ainda são – como atividades fundamentais para as melhores mulheres e pela sua natureza.

Nós mulheres, pelos milênios de inferioridade social e econômica a que nos submetemos, tomando como base a tipologia do adulto mãe aprendida na infância, se não nos libertarmos, não chegaremos a conhecer e a realizar inteiramente o projeto único que cada uma de nós é.

Quando anda na direção correta, com inteligência e vontade, seguindo o projeto pessoal de natureza, a mulher fica bem, é feliz. Luz para nós e para o conjunto.